Autor Tópico: Síndrome da Boca Ardente - tratamento por acupunctura  (Lida 4524 vezes)

Maio 09, 2013, 20:40:13 pm
Lida 4524 vezes

Ladybird

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Olá a todos! :)

Gostaria de pedir a vossa participação/opinião num caso de Sindrome de Boca Ardente.

Para quem não sabe:
"A síndrome de Ardência Bucal (SAB) ou da “Queimação Bucal” pode ser definida como uma entidade clínica caracterizada pela dor e sensação de ardor (queimação), localizada em qualquer região da mucosa bucal, sem que se possa detectar qualquer alteração ou lesão fora dos padrões de normalidade e com achados laboratoriais normais. (...) Os sintomas mais comuns relatados pelos pacientes são: xerostomia, paladar alterado, sede, sensação de queimação na língua e nos lábios"

Neste caso em especial, a paciente de 41 anos, não refere dor, mas sim um intenso e desagradável sabor salgado na boca, tendo a sensação que tem uma pedra de sal. Tem vindo a piorar desde há 2 ou 3 anos.

Tem tido diversos fibroadenomas e fibromiomas na mama e útero, que têm sido removidos.
Tem cristais nos rins e infeções urinárias de repetição. Menstruação irregular (pouco fluxo e ciclo muito espaçados), regulariza com a toma da pílula.

Há 2 anos sofreu de uma crise devido a discinésia biliar com os seguintes sintomas: digestão difícil, fezes pastosas e amareladas, sabor horrível na boca (neste caso não consegue descrever o sabor) e mau hálito. Isto entretanto foi ultrapassado.

Sofre de insónias e é também bastante ansiosa.

Para já não tenho informação à cerca da medicação que tomou ou toma, que pode estar a originar este problema. Entretanto fez somente um tratamento de acupuntura, após o qual se sentiu bem, mas em relação a este problema não sentiu qualquer diferença.

Será que alguém conhece melhor este sindrome e em termos energéticos em que é que se traduz. Salgado está ligado ao Rim, a cavidade bucal pertence ao sistema digestivo (Baço/Estômago)...

Agradeço a vossa ajuda.

Abraço,
Joana
« Última modificação: Julho 18, 2015, 09:56:36 am por Miguel Gomes »
"A minha religião é o Amor, a minha igreja é a Natureza" Gary Gleason

Maio 25, 2013, 01:12:03 am
Responder #1

Milonga

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Olá Joana, apenas uma dúvida: O que a leva a concluir que a paciente apresenta um quadro de burning mouth?
Obg
Nelson

Maio 27, 2013, 19:50:33 pm
Responder #2

filipe gonçalves

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Como se apresenta a lingua e o pulso?

Muito superficialmente, está aí um quadro de Fogo, estagnação e deficiencia de Yin.
Há também quadros de humidade e fleuma.
É necessário a pesquisa de mais alguns sintomas para definir com exatidão a origem dos sintomas. Pelo que conta, Rim, Coração, Baço, e Figado estão, sem duvida, implicados. Pode ser uma Estagnação de Qi do Figado prolongada que gera Ascensão do Fogo do Figado que queima o Coração (insonias e ansiedade) e a boca. Consequencia disso surge uma deficiência de Yin do Rim. A agressão ao Baço e Estomago também é mostrada pelas fezes e pela halitose. A humidade está presente, quer nas fezes pastosas, quer nas infecções recorrentes e muito provavel no gosto estranho na boca que não consegue definir. Cristais no Rim apontam para Fleuma. A menstruação atrasada pode indicar vários sindromes como humidade, Rim, deficiencia de Sangue. A irregularidade mostra alterações no sangue, Figado, Rim e Baço
A meu ver deve tonificar o Yin e eliminar humidade. Cuidado ao tonificar o Yin para não aumentar a humidade (uma vez que é Yin). Mova o Qi e elimine Fogo. Tonificar Baço. Atenção também ao aspecto emocional da pacciente. Com certeza haverá algo para resolver.

Tenha atenção que é um diagnostico muito superficial. Lembre-se que a lingua e o pulso são essenciais para a determinação correcta das sindromes.

Cumprimentos,

Filipe Gonçalves

Maio 30, 2013, 20:02:06 pm
Responder #3

Ladybird

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Olá e obrigada pela vossa colaboração.

Olá Nelson! Espero que esteja tudo bem ctgo. Relativamente à tua pergunta, foi a paciente que se dirigiu a mim com este diagnóstico. Pesquisei, para saber do que se tratava em termos convencionais, e fiz o tratamento baseado na observação dos sintomas. Pode não ser este o diagnóstico!?... qual é a tua opinião?

Filipe, obrigada pela informação detalhada e quanto à pergunta posso dizer que a língua é vermelha, especialmente na ponta e apresenta revestimento branco, especialmente na raiz. O pulso sente-se algo tenso.
Mais um dado: aquando das crises o palato da senhora apresenta-se amarelado com algumas saliências (género borbulha).
A parte emocional deve-se ao trabalho e também à perda de alguns familiares próximos, que ocorreram nos últimos tempos.

Entretanto a paciente já fez alguns tratamentos e tem apresentado melhoras significativas com acupuntura. O mau sabor na boca que era contínuo, ocorre neste momento em dias pontuais (que não associa ao stress).

Tenho usado como pontos base, os seguintes: 6MC, 12VC, 21E, 36E, 44E (para agir na parte digestiva e no calor que provoca este sabor), Também tonificar o Yin com o 6Rt e agir no Rim com o 3Rn. Para o mental tenho feito 1Hm, Anmian e 20Vg.
A senhora à noite tem muita fome que compensa com bolacha e outras coisas que fazem mal. Aconselhei a evitar ou retirar esses alimentos que podem provocar fermentação, assim como as massas e optar mais as verduras.

Para já está assim, agora vamos ver se se mantêm os progressos, senão terá de se recorrer à fitoterapia para ajudar.

Têm mais alguma sugestão?

Obrigada pela atenção.

Abraço,
Joana
"A minha religião é o Amor, a minha igreja é a Natureza" Gary Gleason

Maio 31, 2013, 01:31:44 am
Responder #4

filipe gonçalves

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Olá Joana,

O palato amarelo aponta para patologia do Baço e Estômago. Se for um amarelo esbatido é um sintoma de vazio mas se for um amarelo brilhante é um estado de plenitude. Tratar de acordo com o estado. Creio que devia juntar pontos Shu de acordo com os órgãos afetados.
Uma combinação boa para tranquilizar a mente é: 7C (Shenmen) + Yintang
Porque não usa também a fitoterapia? Os resultados serão certamente mais rápidos.  ;D

Nao esteja preoupada se é sindrome da boca ardente ou outra coisa qualquer. Isso é para a medicina convencional. Foque-se nos sintomas de acordo com a MTC. Isso é que conta.  ;) (não é para levar a mal)  :)

Bom tratamento

Cumprimentos

Filipe Gonçalves

Junho 01, 2013, 01:41:10 am
Responder #5

Milonga

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Olá Joana, estás bem? Pela sintomatologia que referes é difícil aferir se é o não BMS (burning mouth sindrome).A característica fundamental dessa patologia é a sensação constante de boca a arder ou a queimar. Há de facto uma alteração na percepção do paladar ou a persistência de um gosto incomum, normalmente amargo ou metálico.
Avaliaste as análises? Como está o F, a Vit B12,glicémia, tem doença de sjogren? Usa prótese dentária? Língua geográfica,liquen plano, refluxo gastro esofágico,próteses dentárias  mal adaptadas...
Concordo com a abordagem que fizeste em agir preferencialmente no Rt/E e Mental. Penso que deves tonificar o centro e o yin. (5P,7Rn, 6Rt,36E) e reforçava mais o metal usando eventualmente os 4 portões , 17VC em direcção a cabeça,10Rt ou 39BV (entre outros). Não faria fitoterapia sem conhecer a medicação que a paciente faz (atenção as interacções). Acho perigoso!!! Ao contrário do que o Filipe diz, é mto importante conhecer a patologia em medicina convencional(sem ofensa Filipe), só assim conseguirás ter bons resultados .Quanto a patologia ao nível do palato… Observa com a atenção as lesões e se possível fotografa. Não te metas em aventuras em fazer uma avaliação unicamente com base na MTC. A paciente apresenta quadro de tumores, assim sendo, se a patologia persistir deve ser feita uma biopsia. Tens em mãos um caso nada fácil. Boa sorte!!
Nelson

Junho 01, 2013, 19:18:58 pm
Responder #6

filipe gonçalves

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Olá Nelson,

É claro que não fico ofendido, estamos aqui para ajudar uma colega.
Quando me refiro a se dedicar aos sintomas em MTC, é porque se supõe que esta paciente já vem da medicina convencional, por isso, já vem com um diagnóstico efectuado. Se recorre à medicina natural é porque nao encontrou solução lá. É facto que as duas áreas deviam estar unidas, por causa dessa situação a que se refere.
Como para a MTC as análises clinicas tem um valor menos relevante, ou praticamente nula, creio que saber valores de ferro, glicémia ou vitamina B12 não sejam de todo importantes.
Sobre a fitoterapia, tem absoluta razão, mas parte-se do principio que a colega tem esse conhecimento bem patente, mas se a paciente não faz medicação porque não? Por exemplo, duas ervas usadas na nossa medicina natural, como dente de leão e hortelã pimenta, que são ervas refrescantes e que eliminam calor e calor tóxico, podem ser dados com segurança pois não têm grande interação medicamentosa.

Respeitosos cumprimentos,

Filipe Gonçalves

Junho 02, 2013, 00:51:32 am
Responder #7

Milonga

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Olá Filipe,
De facto só queremos ajudar, mas há determinadas coisas que não nos podem passar ao lado. Não concordo, quando diz que as análises clínicas têm um valor totalmente nulo. Desculpe-me mas não é correcto. A avaliação das análises é importante. Neste caso em concreto, é importante para excluir algumas patologias. Por exemplo: valor da glicémia, para excluir diabetes mellitus, avaliação da imunidade, para excluir síndrome de Sjogrem, Fe,vit B12,para excluir alguma deficiência e inclusivamente anemia...
Embora não seja esse o caso, se estiver a fazer um emagrecimento e usar centelha asiática é bom que tenha em mente os valores dos triglicéridos, porque se este  for elevado, a centelha asiática é contra indicada. Normalmente os pacientes chegam até nós já cansados dos insucessos da medicina convencional e dizem-nos aquilo que acham que têm e as vezes o que elas dizem ter pode não corresponder a realidade dos factos. Convém de facto pedir que tragam todos os exames que possuem,  ler os relatórios feito pelo médico assistente e então trabalhar com segurança.  Pelo que percebi do post, a Joana não sabe os medicamentos que a paciente  tomou ou toma, logo em minha opinião , não utilizaria fitoterapia. Relativamente às plantas que refere não são totalmente isentas de interacção e o seu uso requer algum conhecimento. Por exemplo: Dente de Leão também conhecido por TARÁXACO, que pertence a família das asteráceas, as partes utilizadas são as folhas e as raízes. Tem como principal indicação na disfunção hepatobiliar, infecções urinárias, litíase renal e vesical. A UE aprovou a uso das raízes nas alterações do fluxo biliar, estimulação da diurese, perda de apetite e dispepsia e as folhas para perda de apetite, dispepsia (enfartamento e flatulência). No entanto essa inocente planta é contra indicada na obstrução das vias biliares sobretudo no caso das raízes. Nos cálculos biliares só deve ser usado sob controlo médico. Devido ao seu conteúdo de substancia amarga pode causar hiperacidez e azia em pessoas sensíveis. Deve-se ter algum cuidado quando prescrevemos essa planta em doentes hipertensos ou em pacientes que tomam cardiotónicos, porque pode haver descompensações.
Abraço
Nelson

Junho 03, 2013, 00:30:09 am
Responder #8

filipe gonçalves

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Caro Nelson,

Não é minha intenção iniciar algum tipo de argumentação consigo. Até porque cada um tem o seu método de trabalho e não pretendo colocar em questão o seu método. Respeito até. Mas surge-me uma questão que aí sim tenho dúvidas. Você explicou bem todas as questões relacionadas com a fitoterapia. É verdade que é preciso extremo cuidado com interações e até mesmo com as doenças pois nem sempre são benéficas. Em primeiro lugar, o Nelson é terapeuta em MTC, ou é terapeuta noutra área da medicina natural? É que simplesmente você apenas está a ver as ações das plantas do ponto de vista cientifico e se é terapeuta de MTC está a desviar-se da essência do que é MTC.
De notar que, segundo a MTC, herba taraxaci é usada a parte aerea (e por vezes a raiz). É uma planta doce , amarga e fria, com ação no Fígado, Estômago e Intestino Grosso. Os seus efeitos são: Elimina Calor e toxinas, Humidade - Calor no Aquecedor médio, drena Calor no Estômago. Segundo estudos cientificos realizados no Brasil, esta planta possui ação bactericida, tuberculoestática, antiviral, nas vias biliares, inibindo espasmos e aumentando o fluxo biliar, efeito latogénico e de toxicidade bastante baixa, sendo a sua DL 50 de 59g/kg.
Tradicionalmente, isto é, segundo o conhecimento empírico, esta erva é usada como depurativo do sangue, para alivio do figado e vias biliares, antiácido, disurias e infecções urinárias (atuando como diurético).
Como qualquer planta que promova o fluxo da bilis, é necessário especial atenção áqueles que têm colelitiase, isto porque, ao causar esvaziamento da bilis, os cálculos são "arrastados" e podem provocar bloqueios no ducto biliar.
Eu também verifico os exames clínicos, com especial atenção para os exames de imagem. Como sabe, para a MTC não existem diabetes, mas sim sindromes de Yin, Yang, Qi, Sangue e por aí a fora. Não existe alterações de Ferro e Vitamina B12, mas sim um Vazio de Sangue (anemia). A titulo de exemplo, as plantas usadas para tratar vazios de Sangue, são plantas ricas em vitamina B e Ferro. Outro exemplo, Radix Astragali, largamente usado na China em situações de neoplasias tratadas com quimio e radioterapia, tem na sua compisção quimica substâncias que promovem o Qi, que, cientificamente podemos dizer que ativa o sistema imunitário, pois este conceito não existe em MTC
É neste sentido que não concordo muito com o que diz. Tenho a impressão que foge um pouco daquilo que é a teoria da MTC. Você olha muito para elementos que a MTC não reconhece, como triglicéridos, ferro, vitaminas, etc. Se usa a MTC para diagnóstico é salutar usar a MTC como tratamento. Lembro-me de um médico que diagnosticava segundo a medicina cientifica e aplicava tratamento de MTC. Resultado? Apenas alivio de sintomas (e quando aliviava). Depois reconheceu que esse não era o melhor método.
Caro Nelson, não tome este comentário como afronta aos seus conhecimentos, até porque demonstra bons conhecimentos, mas pretendo apenas chamar à atenção para que, o uso de metodos terapeuticos da medicina chinesa requer exclusivamente diagnóstico por MTC. O uso de exames que sirvam apenas como chamadas de atenção para algo que nos escapa.

Respeitosos cumprimentos,

Filipe Gonçalves

Junho 04, 2013, 23:33:53 pm
Responder #9

Ladybird

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Olá colegas!!

Agradeço toda a informação que partilharam relativamente a este caso, tanto do ponto de vista natural(MTC) como convencional.

Creio que todos os pontos de vista são úteis, desde que tenhamos sempre em atenção a saúde do utente. Pelo menos a troca de diferente ideias alerta-nos sempre para algumas questões que neste caso, certamente terei em conta.

Já se sabe que cada um desenvolve o seu método de trabalho e por isso temos de conviver com as diferenças  ;D Pelo menos podemos sempre aperceber-nos de várias perspetivas.

Entretanto dou feedback se houverem desenvolvimentos (pode ser que seja útil para mais alguém).

Um abraço,
Joana
"A minha religião é o Amor, a minha igreja é a Natureza" Gary Gleason

Junho 06, 2013, 02:08:35 am
Responder #10

Milonga

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Olá Filipe,
Lamento, mas não entendeu nada do que lhe quis dizer. Só por mera informação, sou acupunctor com 5 anos de formação e conheço relativamente bem  a fitoterapia, daí o meu sinal de alerta.Mas não fiquei minimamente aborrecido,porque aprendi que temos que lidar com as nossas opções e consequências.
Abraço
Nelson

Junho 12, 2013, 11:14:03 am
Responder #11

Milonga

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Entre a Acupunctura e a alopatia existem diferenças abissais sobretudo na forma como se avalia os pacientes, mas uma coisa não pode ser descartada, a doença!!. Uma hepatite, uma úlcera, uma constipação, etc... é sempre igual em termos de sintomas, quer seja na China ou em França. Uma doença é uma doença com sinais e sintomas bem específicos. A forma como nós a interpretamos é que varia .O organismo não distingue se um determinado fármaco é alopático ou se é fitoterápico. O que acontece na realidade são interacções dos princípios activos que devemos ter atenção e cuidado, porque se assim não for, estamos a ser inconsequentes, , porque não só colocamos a vida dos pacientes em risco, como também a imagem de uma classe que se quer afirmar dentro do panorama de saúde nacional, como uma classe responsável, credível e cujos profissionais têm conhecimentos adequados para o exercício da profissão.

Ficam aqui alguns exemplos: “interação medicamentosa entre fitoterapia e medicamentos”

“Os medicamentos fitoterápicos são amplamente utilizados, principalmente, pelos portadores de doenças crónicas e em associações medicamentosas com diversos fármacos. As possíveis interacções entre eles estão sendo muito estudadas, pois podem alterar os perfis de eficácia e segurança de muitos fármacos. Nesta revisão, as informações foram localizadas, avaliadas e sistematizadas e contêm as principais interacções entre fármacos e medicamentos fitoterápicos elaborados com ginkgo ou ginseng. Verificou-se que os medicamentos fitoterápicos elaborados com tais plantas podem interferir na farmacocinética e/ou farmacodinâmica de diversos fármacos, podendo provocar consequências graves aos pacientes. O ginkgo pode interferir com anticoagulantes orais, antiplaquetários e com fármacos metabolizados pelo sistema P450-CYP3A4. O ginseng pode interagir com antidepressivos inibidores da monoamino oxidase, anticoagulantes orais, anti-hipertensivos, e contraceptivos à base de estrogênios. Além disso, não é recomendada a administração concomitante de ginkgo ou ginseng com antineoplásicos. Nesse sentido, o uso concomitante de medicamentos fitoterápicos à base de ginkgo ou ginseng com outros fármacos deve ser adequadamente monitorizado.”

1.   www.scielo.br/scielo.php?pid=S0102-695X2008000100021&script...‎

 “Gengibre (Zingiber officinale Rosc.) – Indicações/Ações terapêuticas: profilaxia de náuseas causada por mo¬vimento (cinetose) e pós-cirúrgicas. Padronização/marca¬dor: Gingeróis (6-gingerol, 8-gingerol, 10-gingerol, 6-sho¬gaol, capsaicina) [dose diária: crianças acima de 6 anos: 4-16 mg de gingeróis; adulto: 16-32 mg de gingeróis] 6.
Interações medicamentosas 1,3,11,22,32,36,38,44,46: Há evidências de que o gengibre estimula a produção de áci¬do clorídrico estomacal e, como consequência, em teoria, poderá comprometer a ação de medicamentos contendo sucralfato, ranitidina ou lansoprazol; contrariamente, ao que foi verificado em animais, ou seja, proteção esto¬macal. Teoricamente o gengibre poderá aumentar o risco de sangramento quando administrado conjuntamente ao ácido acetilsalicílico, varfarina, heparina, clopidogrel, ibuprofeno ou naproxeno ou outros medicamentos que apresentem esta acção; em doses elevadas poderá desen¬cadear sonolência, além de que poderá interferir com me¬dicamentos que alteram a contracção cardíaca incluindo os beta-bloqueadores, digoxina e outros medicamentos para o coração. Existe a possibilidade de diminuição dos níveis de açúcar no sangue e, portanto, poderá inter-ferir com medicamentos administrados por via oral para diabéticos ou com a insulina. Estudos sugerem que fito¬químicos presentes em dietas como capsaína, curcumina, [6]-gengerol e resveratrol apresentam efeito inibitório na P-glicoproteína potencializando interações alimentos-me¬dicamentos.”
Ps:Não é uma resposta dirigida a ninguém em especial mas a todos os leitores  e espero não estar a ferir susceptibilidades.

Abraço

Junho 19, 2013, 17:39:49 pm
Responder #12

Ladybird

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Nelson, concordo com o que dizes em ter o máximo de cuidado, tendo em conta que lidamos com  seres humanos.

(Aproveito para esclarecer que a paciente unicamente se encontra a tomar um medicamento para o tal "síndrome da boca ardente" (agora não tenho comigo o nome) e que as outras complicações estão resolvidas.)

Infelizmente, sabemos que há um grande abismo entre estas duas formas de medicamento: químico e natural; e que há algumas questões que na realidade não são claras, tendo em conta que:
- pelo que sei nos cursos de farmácia, pouco ou quase nada se aprende sobre os suplementos naturais e a sua interação com os químicos (creio que em medicina será igual)
- nos cursos de medicina natural, pouco ou quase nada se aprende sobre os medicamentos químicos
- e neste panorama, as interações entre estes medicamentos pouco se sabem a não ser por estudos que pontualmente se façam (como é o caso do estudo que apresentaste). Pelo que sei é um terreno pouco conhecido por ambas as partes.

Por exemplo o gengibre (referido no estudo) é um alimento bastante utilizado no oriente. Provavelmente utilizam na grande maioria dos seus pratos e no ocidente estamos igualmente a recorrer ao seu uso na nossa cozinha. Ora, tal como o gengibre outros alimentos que comemos podem igualmente ter um efeito sobre a medicação... e como é que fazemos aqui?... o caso parece complicado!

Às vezes torna-se complicado saber como agir.

Creio que está aqui um caminho longo que falta percorrer. ;)

Abraço,
Joana
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