Autor Tópico: Tui Na  (Lida 2444 vezes)

Agosto 21, 2009, 10:30:23 am
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ogodier

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Tui Na é um método terapêutico que se inscreve no sistema de atenção à saúde
conhecido hoje por Medicina Tradicional Chinesa. Baseia-se na aplicação de técnicas
manuais em áreas, meridianos e pontos do corpo humano com a finalidade de preservar a
saúde e tratar doenças. Sua origem é tão antiga quanto o ato espontâneo de friccionar com
as mãos uma região dolorosa do corpo.
Desenvolveu-se nas comunidades da China ao longo de milênios ao lado de outros
recursos terapêuticos como acupuntura, moxabustão e exercícios físicos. Suas bases
teóricas podem ser encontradas nos cânones da Medicina Tradicional Chinesa, o Huang
Di Nei Jing e o Nan Jing, compilados na passagem do séc II a. C. para o séc. I a. C. ,
quando a medicina tornou-se um campo distinto da atividade humana na China.
O primeiro, conhecido como Tratado de Medicina do Imperador Amarelo elucida
aspectos da teoria médica e introduz a teoria dos meridianos, um sistema de doze vasos
interligados, por onde acredita-se que circule sem interrupção, substâncias específicas. O
segundo acrescenta oito vasos ao sistema de meridianos e apresenta uma abordagem para
diagnose baseada no estudo dos pulsos.
Neste período a massagem terapêutica chinesa recebeu o nome de Anmo, termo que
ser traduz como “pressionar deslizando para a frente”. Na dinastia Ming (1380 d.C. –
1750 d.C) o termo Anmo começou a ser substituído por Tui Na, “segurar firme e
empurrar para a frente”. Em 1601 foi escrito o primeiro tratado sobre Tui Na infantil,
Xiao Er An Mo Jing.
A influência dos ingleses na corte chinesa, depois de 1750, levou ao
desmantelamento progressivo da Medicina Tradicional Chinesa nas instituições
governamentais. Contudo, graças ao trabalho diligente de praticantes, Tui Na continuou
existindo à margem das instituições.
Com a fundação da República Popular da China em 1949, o governo chinês procurou
resgatar a Medicina Tradicional Chinesa. Em 1956 teve início o primeiro treinamento de
Tui Na em Shanghai.
Em 1958 foram fundadas a Clínica de Tui Na de Shanghai e a Escola Técnica de Tui
Na de Shanghai. Os massagistas populares foram convocados para trabalhar nos
departamentos clínicos de Tui Na estabelecidos nos hospitais.
Em 1974 Tui Na passou a fazer parte do departamento de acupuntura da Faculdade de
Medicina Tradicional Chinesa de Shanghai, na subdivisão Tui Na e traumatologia. Em
seguida o mesmo se deu nas faculdades de Pequim, Nanquim, Fujian e Anhui.
Em 1987 foi fundada a Associação de Tui Na da China, que tem fomentado
intercâmbios nacionais e internacionais, contribuindo para o desenvolvimento da pesquisa
científica sobre os fundamentos e a clínica de Tui Na em reabilitação, prevenção e
tratamento de patologias.
O processo de penetração de recursos terapêuticos baseados na teoria dos meridianos
da Medicina Tradicional Chinesa na cultura ocidental ganhou ímpeto, a partir da década
de 70 do século passado, quando teve início uma mudança no imaginário do corpo que
conduzindo a uma nova definição para a noção de saúde nestas sociedades.

3. Bases Teóricas

A doutrina do Yin/Yang , a Teoria das Cinco Fases e a idéia de ch’i formam o alicerce
da literatura teórica-médica da China na qual Tui Na se inscreve. A teoria dos meridianos
e pontos de acupuntura fornece uma descrição das estruturas sobre as quais se deve atuar
para fins terapêuticos.
A “doutrina do Yin/Yang” é proveniente de uma escola filosófica do séc IV a. C. que
postulou a conexão entre todos os fenômenos naturais e sua constante trnsformação
segundo uma dinâmica orientada por padrões cíclicos. Tal dinâmica foi representada por
um modelo constituído por dois aspectos polares, comple-mentares, alternantes e
intercambiantes, o Yin e o Yang, princípios de transformação e de ordenação de todas as
relações que se converteram nas categorias fundamentais do pensamento chinês.
Segundo a cosmologia chinesa é por meio da inter-relação dinâmica de Yin e Yang
que o Tao, princípio único, imaterial, permanente e potencial se manifesta, e que sua
potência se atualiza no mundo dos fenômenos físicos, engendrando o processo cósmico.
O processo cósmico caracteriza-se pelo eterno fluir e pela constante mutação. O fluxo
é providenciado pelo ch’i, influência material sutil que subjaz a tudo o que existe. A
mutação obedece a padrões cíclicos cujos limites são estabelecidos pelo Yin e pelo Yang.
Os atributos de cada coisa determinam sua natureza Yin ou Yang. Os fenômenos
físicos mais materiais, mais densos, mais profundos, mais frios, mais inertes, mais
escuros são arrolados como Yin. Os fenômenos físicos mais energéticos, mais espirituais,
mais voláteis, mais quentes, mais claros e com mais movimento, são arrolados como
Yang.
A idéia de relatividade, no entanto, está sempre presente. Um dos princípios não pode
ser exclusivo. Não há Yin sem Yang, como não há polaridade negativa sem polaridade
positiva, força centrípeta sem força centrífuga, feminino sem masculino, intuição sem
intelecto, noite sem dia. No cerne do Yin está a essência Yang e no cerne de Yang a
essência Yin.
Na Medicina Tradicional Chinesa o conceito de saúde está vinculado ao conceito de
equilíbrio entre Yin e Yang no organismo garantido pelo fluxo contínuo de ch’i. O
organismo é concebido como uma unidade que compreende os níveis físico, psíquico,
emocional e espiritual, em relação dinâmica com o meio ambiente. Todas as estruturas e
funções orgânicas e todos os sinais e sintomas que apontam para disfunções orgânicas,
podem ser analisados e interpretados segundo a ótica da interação dos dois princípios Yin
e Yang
Quando ocorre uma desorganização ou bloqueio do fluxo de ch’i no organismo as
proporções entre Yin e Yang se alteram, o equilíbrio energético é rompido e sobrevém a
doença.
Para restabelecer a saúde é necessário regular o fluxo de ch’i e restaurar o equilíbrio
entre Yin e Yang. Essa é a função da Medicina Tradicional Chinesa que utiliza vários
métodos de tratamento, selecionados de acordo com as características da doença.
Tui Na é um método de tratamento que tem como finalidade preservar ou restituir o
equilíbrio entre o Yin e Yang no organismo corrigindo as disfunções orgânicas por meio
da aplicação de técnicas manuais.
A teoria das Cinco Fases, atribuída a Tsou Yen (cerca de 350 a.C. – 270 a.C),
influenciou em profundidade a Medicina Tradicional Chinesa. Segundo esta doutrina, os
fenômenos naturais e os conceitos abstratos não aparecem arrolados em duas, mas em
cinco linhas de correspondência. Os termos usados como emblemas não são abstratos
como Yin/Yang, porém fenômenos naturais tangíveis associados a cada uma das fases :
madeira, fogo, terra, metal e água. Cada fase relaciona-se com as demais segundo regras
específicas.
Nas traduções para o português costuma-se designar cada fase de “elemento” ou
“movimento”. O termo “elemento” deve ser evitado, pois não reflete a noção dinâmica
do termo chinês wu-hsing que significa “ir” ou “mover”.
A compreensão da doutrina das Cinco Fases não deve ser empreendida sob a ótica da
doutrina dos elementos dos filósofos gregos, para quem a matéria se diferenciava em
quatro elementos:
 terra, ar, fogo e água, dotados de quatro qualidades primárias ou
quatro naturezas básicas, calor, frio, úmido e seco.
A relevância da teoria das Cinco Fases para a Medicina Tradicional Chinesa deriva
do padrão de relacionamento que as fases estabelecem entre si no processo de
transformação contínua dos fenômenos. Se as leis que regulam a relação entre as fases
forem respeitadas, a saúde do organismo humano será mantida. Se houver ruptura ou
descontinuidade nos mecanismos que mantêm o sistema em equilíbrio, ocorrerá a doença.
Tui Na oferece recursos técnicos para a regulação das Cinco Fases, uma vez que o
diagnóstico segundo a Medicina Tradicional Chinesa tenha sido alcançado.
O processo de elaboração da teoria dos meridianos com suas ramificações e
interconexões acompanhou o desenvolvimento da idéia de ch’i. O sistema tal como se
estuda hoje, é constituído por um conjunto de estruturas com funções específicas: doze
meridianos principais, oito meridianos extraordinários, doze meridianos distintos, quinze
meridianos colaterais, doze meridianos tendino-musculares, doze zonas cutâneas e os
pontos de acupuntura. A função genérica do sistema é promover a relação entre as
substâncias vitais e os orgãos e vísceras internos, chamados de zang fu.
O interesse científico contemporâneo pela teoria dos meridianos suscitou um debate
a respeito da existência física dessas estruturas. Estudos com cortes histológicos
utilizando diversas técnicas de coloração não foram capazes de demonstrar quaisquer
estruturas que pudessem ser descritas como meridianos. A participação do sistema
nervoso periférico em acupuntura, no entanto, tem sido demonstrada em inúmeros
estudos, embora os meridianos e colaterais não mantenham equivalência direta com
vasos sanguíneos ou com os nervos espinhais e cranianos.

Um Abraço

INSMEB


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