Autor Tópico: Problema levantado pelo Sr. José Faro durante a discussão pública parlamentar  (Lida 13630 vezes)

Maio 07, 2008, 14:11:09 pm
Lida 13630 vezes

Nuno Lemos

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Apesar da discussão no parlamento ter passado ao lado deste pedido do Sr. José Faro, representante da acupunctura, eu achei por bem partilhá-lo com vocês uma vez que alguns ~dos participantes são dos mais afectados por este assunto.

O Sr. José Faro apesar de referir que os praticantes mais antigos estavam seguros via equiparação por experiência profissional referiu que os terapeutas mais recentes (com até 1 ano de prática clínica) serão os principais afectados pois não se conseguiu arranjar nenhum modelo que permitisse a sua incorporação na classe profissional a formar. O problema é este:
1 - se o praticante exercer há mais de 1 ano e o curso base for inferior ao exigido por lei ele só tem de apresentar curriculo com portfolio composto por 10 casos clínicos.
2 - se o praticante exercer há menos de 1 ano e o curso não tiver os requisitos mínimos tal como está definido, então, esse terapeuta deve tirar um curso conforme.

O problema é que estes profissionais acabam por ser os sacrificados. O desafio levantado pelo Sr. José Faro foi no sentido de discutirmos este problema e tentarmos encontrar uma solução credível e benéfica para esses profissionais.

Aproveito e deixo aqui também o endereço de e-mail criado para onde poderão enviar sugestões relativamente aos diferentes problemas levantados pela regulamentação:
reg.acupunctura@gmail.com

Estão também a ser criadas 3 sessões de esclarecimento e reflexão (2 em Maio e 1 em Junho) que consistirão em:
1ª sessão: apresentação e análise detalhada da proposta de regulamentação da acupunctura.
2ª sessão: questões relevantes sobre a proposta de regulamentação da acupunctura.
3ª sessão: análise das alterações apresentadas. Conclusão dos trabalhos.

As datas exactas serão indicadas posteriormente.

Abraço

Maio 07, 2008, 16:23:12 pm
Responder #1

Andre

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1 - Porque é que alguém com mais de 1 ano de prática e 10 casos clínicos tem mais direito que alguém com menos de 1 ano de prática e que poderia apresentar igualmente 10 ou mais casos clínicos?
2 - Que tal reconhecer *no mínimo* os licenciados por cursos nacionais de reconhecido valor em vez de apenas reconhecer os que tiraram o único curso em portugal para o qual a regulamentação foi feita à medida? porque os há!


Isto começa é a ser chover no molhado, disco riscado, andar em círculos, etc.

Maio 07, 2008, 17:41:34 pm
Responder #2

Nuno Lemos

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Boas André. ;D
Concordo com a questão dos 10 casos clínicos e dos anos. Realmente fica difícil uma pessoa com 11 meses de prática e 10 casos clínicos para apresentar não poder concorrer nas mesmas circunstâncias que uma pessoa com 13 meses de prática clínica. :D

Levantas um problema interessante relativamente aos cursos. Como neste momento ainda não estamos reconhecidos e os cursos ainda não estão homolgados creio que a comissão terá de se reger pelos critérios de horas base do curso. Daí surgir o problema. :D

Creio, também, que o problema do 1 ano de prática clínica não tem só a ver com os casos clínicos a apresentar mas também pela equiparação por via profissional. Uma pessoa que exerça há 4 anos, em princípio, já deve ter uma experiência profissional suficiente, independentemente dos 10 casos clínicos. :D

Creio que o problema pode ser provocado pelos parâmetros:
1 - curso base com respectivo número de horas teóricas e práticas;
2 - experiência profissional suficiente para garantir a equiparação por experiência.

Poderíamos também argumentar a razão de não elevar para 2 ou 3 anos uma vez que já teria mais experiência profissional mas isto iria prejudicar uma boa parte dos futuros acupunctores. Pretende-se com a lógica da argumentação definir uma classe profissional séria, confiança dos doentes na classe pofissional e tentar fazer com que o maior número d eterapeutas seja aceite. De qualquer forma também não sei como resolver o problema. ;)

Abraço

Maio 07, 2008, 18:18:15 pm
Responder #3

Pulga

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Olá Nuno,
Porque me pareces ser detentor de alguma sensatez, que urge neste processo, achei por bem “perder” a tarde que tinha guardado para estudar para seguir desde o início toda a discussão da regulamentação.
Concordo contigo, não deves responder a qq tipo de ataque pessoal e devo até registar o apreço por te dispores a discutir uma questão a que não és obrigado, até porque, em última análise estás em franca vantagem (a escola a que pertences), no ponto em as coisas estão. O que nos deve preocupar a todos é salvaguardar e defender a posição de todos os que estejam em condições de “caber” na regulamentação que aí vem. Ora eu como aluno de fs do curso da APA-DA a frequentar o 3º ano estou francamente preocupado com tudo isto.
Creio que é essencial tomar em linha de conta o CURRÍCULO por oposição ao nº de horas de frequência, presenciais. Depois é necessário perceber que este desenho curricular leccionado ao fs é o único capaz de proporcionar a profissionais de outras áreas, a trabalhar a tempo inteiro, longe das “metrópoles”, uma formação adequada em mtc. Será adequada? Já tiveste oportunidade de VER as sebentas? E o desenho curricular? E o perfil dos alunos? Posso afirmar-te que a imensa e esmagadora maioria dos alunos é já detentora de, pelo menos uma licenciatura em outras áreas profissionais, para já não falar de mestrados e doutoramentos. Encontras por “aqui” enfermeiros, professores, gestores, fisioterapeutas, técnicos superiores etc. Ou seja, pessoas que não estão na disposição de investir muito tempo e muito dinheiro para ficarem de fora de uma regulamentação que passou lamentavelmente a ser uma espécie de guerra politica encapuçada.
Todos já percebemos que não há inocentes e nós que tb não somos “inocentes” percebemos que há, obviamente, interesses provenientes de ambos os lados, eventualmente até com alguma legitimidade pq se trata de pessoas que levam anos de investimento pessoal nesta área. Quem trabalha tem o direito de ter a expectativa de ver o seu investimento recompensado. Assim é tb connosco.
Fiquei preocupado com a tua última intervenção. O que entendes por “tirar um curso conforme”? é que a julgar pela expectativa que demonstraste perante o curso de fs da APA-DA, este não é “conforme”. Isto apesar de os critérios de análise se basearem apenas nas horas presenciais, em detrimento do currículo. A título de exemplo posso dizer-te que sou licenciado e ainda com grau de mestrado e que nunca encontrei no meu percurso académico tamanho desafio nem tão difícil nem tão extenso em conteúdos, como neste “curso de fs da APA-DA”, com todas a s críticas e dúvidas de que possa ser alvo. Como te parece que reagirão todos estes profissionais, com provas dadas no mundo académico/intelectual, se lhes disserem que foi em vão, que terão de começar de novo pq este formato não cabe na regulamentação da discórdia? Não te parece que se toda esta polémica passa para o domínio público perdemos todos?
Não te parece sensato aplicar todas as regras a quem vier a ingressar neste ou em qq outro curso, numa fase pós-regulamentação, e dar a oportunidade de deixar concluir quem está em formação, adequando o ingresso na profissão por forma a que todos possam demonstrar a sua competência? Sugiro uma vez mais que analisem O QUE TEM DE SABER UM ALUNO DA APA-DA no final dos 5 anos para ser detentor do diploma de curso.
Abraço
Pulga

Maio 07, 2008, 19:58:45 pm
Responder #4

Pedro

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Caros Colegas, a meu ver a acreditação de todos os profissionais a exercerem é fulcral, pois só depois dessa acreditação se poderá eleger de uma forma democrática, o seu representante. E isso passa não pela comissão mas sim pela acreditação dos cursos e das Escolas, assim estando as escolas acreditadas e respectivos cursos, facilmente se saberá quem são os profissionais habilitados ou não. Parece lógico?
A criação de uma Ordem na minha opinião é mais Justo e democrático que uma comissão e um conselho regulador que se elege a si mesmo? não será esse o caminho? De serem os profissionais a elegerem os seus representantes? e não uma facção apenas?
Procura aquilo que tens,perde tudo o que não achas...

Maio 08, 2008, 12:56:49 pm
Responder #5

Diana

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Olá a todos!
Nesta fase acho que o mais importante é certificar os acupunctores e isso deve ser feito da mesma forma para todos, quer tenham 6 meses de experiência, quer tenham 6 anos. Seja a certificação por equiparação ou equivalência, seja com a realização de um exame (eu não me importo nada de fazer um exame quando terminar o curso).
Não concordo que nesta fase da regulamentação o número de horas do curso deva ser considerado. Ou se for, que seja pela positiva, como uma mais valia, e não como elemento discriminatório. A partir do momento que a regulamentação esteja definida e publicada, o plano curricular dos cursos existentes das diferentes escolas deve-se adaptar a legislação e apenas os alunos que iniciarem a sua formação em Medicina Tradicional Chinesa no ano lectivo seguinte serão abrangidos por este ponto da regulamentação (concordo com o pulga ;)). E aí sim, um acupunctor só será acreditado se tiver aproveitamento naquele número de horas. Aliás é assim que se passa no mundo académico, quando há reestruturações das licenciaturas, só têm efeito para os alunos que iniciam o 1º ano (pelo que conheço…)

Beijos pra todos :)

Maio 08, 2008, 13:26:13 pm
Responder #6

Nuno Lemos

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Boas. :)
Gostei bastante da intervenção do Pulga. Creio ter tocado em alguns pontos fulcrais. Vou estender-me um pouco na minha resposta e espero que não levem a mal. ;D
As nossas conversas nos blogues e fórums tem a vantagem de poderem ser mais diversificadas. Além da regulamentação também se pode discutir a validade dos cursos, permite-nos conhecer uns aos outros, etc... No entanto, muitas vezes esta diversidade de diálogos também é uma desvantagem porque desencadeia falta de objectividade (e pode originar algumas rivalidades que não interessam) para o que realmente queremos discutir.

Creio existirem 2 pontos distinctos com diferentes gerações que ainda não se encontraram totalmente. Na discussão pública da Assembleia da República isso ficou bem patente. Existia a geração mais velha (com muitas lutas no passado e muita história para contar) que, apesar de admitirem que a regulamentação não é perfeita, assim como a  lei, acham que ela é desejável. E depois de uma vida de luta pela frente ver-lhes surgida esta opurtnuidade de reconhecimento público é o que mais querem.

Por outro lado existe uma geração mais nova que não tem muito contacto com a geração "dos pais fundadores" que está preocupada com o seu futuro e que, muitas vezes, não vê nessas pessoas os seus representantes. O desejo dos mais velhos contrasta com o medo dos mais novos.

É verdade que eu, devido ao curso base que tirei, tenho vantagem uma vez que devo ficar regulamentado. Ex-alunos da APA-DA que já exerçam há alguns anos também terão vantagens uma vez que conseguirão a equiparação por experiência profissional. Os alunos da nova Universidade/Escola Superior Dr.º Pedro Choy também terão vantagens uma vez que o currículo escolar já os inclui. Os actuais alunos da APA-DA é que poderá ser um problema. Mais uma vez admito que não encontrei nenhum solução satisfatória. Não creio que ainda tenha sido encontrada uma solução consensual para todos os profissionais. :)

Levar em linha de conta o currículo em detrimento das horas teóricas pode apresentar um problema menor. Por exemplo, ensinar os 5 pontos shu em 30 minutos não é a mesma coisa que ensiná-los durante 2 horas ou mais. No entanto, como disse, este é um problema menor. As matérias podem ser estudadas em casa e ficar sabidas. O problema curricular não creio estar nas horas maioritariamente teóricas mas sim nas práticas e nos estágios clínicos. E aí, mesmo que não seja nosso desejo, temos de admitir que a APA-DA peca muito. Como são as aulas práticas de topografia? de massagem? de técnicas de acupunctura? - Mais uma vez começamos a falar de cursos. lol - . A questão dos estágios clínicos já foi sobejamente falada. Creio que a minha opinião sobre essa matéria é bem conhecida e não vale eu estar a escrever bovamente o mesmo.

Relativamente ao perfil dos alunos: sei perfeitamente que existem uma série de alunos da APA-DA que já tem cursos e  mestrados e doutoramentos. Também sei que muitos são pessoas com capacidades de aprendizagem excelentes e poderão vir a dar excelentes profissionais. Mais uma vez, já no passado referi que não tenho dúvidas acerca da existência de excelentes profissionais na APA-DA.

Escreveste:
"Creio que é essencial tomar em linha de conta o CURRÍCULO por oposição ao nº de horas de frequência, presenciais. Depois é necessário perceber que este desenho curricular leccionado ao fs é o único capaz de proporcionar a profissionais de outras áreas, a trabalhar a tempo inteiro, longe das “metrópoles”, uma formação adequada em mtc."

O problema que se coloca à futura classe profissional é ganhar credibilidade. Existem enfermeiros e médicos na APA-DA. Achas que o curso de enfermagem seria bom se fosse 1 fds por mês, sem horas práticas, e com 1 caso clínico por ano. Pensa nos cursos de medicina. Se este sistema não é útil para essas profissões será bom para o futuro da acupunctura? Qual a nossa credibilidade? O problema que surge agora é este: existem pessoas que investiram num determinado curso e querem ver-se compensadas por isso por outro lado existe uma comissão que pretende garantir autonomia profissional e respeitabilidade à profissão. este é o dilema. O futuro da APA-DA não é para ser discutido aqui. esse será um problema posterior à regulamentação. O problema actual é como salvaguardar as pessoas que já se encontram a tirar os cursos. Não é desejo da comissão prejudicar os diferentes profissionais ou alunos. Mas também não é desejo (e nesse aspecto conheço bem o representante) de fazer as coisas de forma irresponsável. Voltamos aos problemas da coerência de argumentos e respeitabilidade da profissão que já falei noutros textos.

Concordo que é extremamente frustrante para pessoas que investiram tempo e dinheiro num curso receberem a notícia no final a dizerem que foi em vão. Por isso devemos procurar formas de isso não acontecer. Como disse, os profissionais da APA-DA deverão ser salvaguardados. Precisamos de arranjar maneira de salvaguardar os profissionais mais recentes. Fica, novamente, uma dúvida que nos divide (comissão, profissionais, alunos): como criar uma regulamentação e estabelecer uma profissão credível, responsabilizar-nos em frente aos doentes e população protuguesa e tentar satisfazer a maioria dos praticantes?

Outro problema que surge mas é pós-regulamentação, está relacionado com os cursos. Em princípio os cursos deverão obedecer aos requisitos minímos colocados pela regulamentação. Isto não significa o fim da APA-DA. Mas provavelmente significará que terá de alterar algumas coisas no seu funcionamento (e esta é a minha opinião pessoal). De qualqwuer forma definir qual o curriculo exacto, a distribuição de horas práticas, etc... é um problema posteriori à regulamentação, uma vez que esta não trata da homolgação dos cursos. Também não podemos confundir regulamentação com homolgação.

Relativamente à resposta do Pedro: creio que já ter falado bastante sobre isto. De qualquer forma acho importante relembrar alguns exemplos. Aqui falamos muito da APA-DA, uma vez que a maioria das pessoas pertence à APA-DA. Mas temos exemplos mais graves de pessoas a exercerem sem qualquer tipo de formação. Eu já conheci muitos exemplos desses. Vamos aceitá-los porque estão inscritos nas finanças? Se queremos credibilidade temos de garantir aos doentes que existe uma formação suficiente nos profissionais acupunctores. Isso foi uma das coisas que um doente falou na discussão pública.

Mais uma vez volta o fantasma da noemação. Já se falou muito do processo de nomeação. Não está em causa a eleição de um representante dos acupunctores, mas sim a formação da classe dos acupunctores. Depois disso todos nós poderemos votar nos líderes que acharmos melhor. Creio que esta grande diferença está a prejudicar muito o processo de regulamentação. Enquanto se pensa nas eleições democráticas passa-nos de lado o nosso verdeideiro objectivo: garantir a nossa autonomia profissional (que se encontra a um pequeno passo) e a defesa dos direitos dos pacientes e da maioria dos nossos colegas. Perder a autonomia profissional, neste momento, é dar uma vantagem enorme aos médicos. Pensem nisto.

O problema persiste: como ajudar os alunos e recentes profissionais. Tenho estado a pensar numa proposta mas ainda não está completa. Quando a tiver acabado vou propo-la para discussão.

Abraço :)


Maio 08, 2008, 13:27:50 pm
Responder #7

Nuno Lemos

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Também concordo com o que a Diana disse relativamente aos cursos. Mas creio que isso será um problema posterior. :)

Maio 08, 2008, 16:20:17 pm
Responder #8

Andre

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Nuno, discutir contigo este assunto pode ser feito citando posts com uma semana, um mês ou mais. A lenga-lenga é sempre a mesma independentemente do que for dito por outros: Brigada do reumático versus novos e rebeldes, cursos bons versus cursos de f-d-s, representação versus generalização perigosa e a piéce de resistance "temos de encontrar uma solução".

Sem ofensa mas a facção ligada à ESMTC parece-me totalmente desligada da realidade que é a vontade da maioria dos (futuros-)acupunctores e têm uma posição autista que não pode levar a nada de bom - e neste caso não há Hun que vos salve. (Ena, nada mau para os 5 minutos que o meu curso reservou para as entidades viscerais.)

Posso estar a vestir a capa do Captain Obvious aqui, mas será que não compreendeste ainda que a intenção não é reconhecer todos os profissionais actualmente em funções e dar-lhes carta branca? Achas que isso quer mesmo dizer que posteriormente poderiam continuar a exercer com as mesmas (ausência de) regras de hoje?
A intenção é fazer com que sejam eles (nós todos, aliás) a decidir quem velará pelo nosso futuro de forma democrática. Após isso, haverá com certeza formas de separar o trigo do joio e ver quem tem competências ou não. Nesse campo, há imensas formas de o fazer sem sermos elitistas, discriminatórios e sem óbvios favorecimentos. Assim de repente, e pegando nos portfolios já referidos na proposta, profissionais com mais de um ano de prática profissional, apresentariam X casos clínicos. Os restantes teriam um prazo de um ano (número arbitrário apenas para exemplo) para os apresentar. Ficava feita prova de prática e eventualmente de competência.
O tempo ao qual a pessoa exerce uma profissão diz absolutamente nada sobre a sua competência na mesma e ainda menos deve ditar a forma como a pessoa é tratada no reconhecimento. Quando a diferença de um dia, semana ou mês pode fazer toda a diferença quanto ao reconhecimento, a proposta torna-se ainda mais ridícula.
Continuando, a partir da data da publicação da regulamentação em D.R., a partir daí, sim, haveria obrigação dos cursos reconhecidos terem X parâmetros. É assim que as coisas se fazem sem leis pseudo-retroactivas feitas à medida de quem as escreve e posteriormente tenciona ainda aplicá-las.

Mas hey, estou certo que para todas as propostas que receberem, terão sempre óptimas razões para ou as ignorar, inferiorizar ou tocar a mesma cassete. A proposta como está é perfeita para os interesses de quem a elaborou e como tal alterá-la é capaz de ser chato... mas não tanto quando ceder a uma eventual vontade de uma maioria.

Maio 08, 2008, 23:33:33 pm
Responder #9

Ladybird

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Olá a todos! :D
Sou aluna do 5º ano da APA-D.A..
Devo dizer que, na realidade não me preocupa em saber quem é o representante ou quem deixa de ser, o mais importante, nesta altura de "caos", é encontrar soluções para que ninguém seja discriminado e que não se deite a perder anos de investimento, não só económico, mas também de expectativas para futuro profissional (com todo o carinho que pessoalmente tenho pela profissão e que muitos outros terão).
Também julgo que o tempo perdido em comparação de escolas e disputas a nada leva. A guerra só gera mais guerra e quando esta é declarada, as partes só querem a RAZÂO e não a SOLUÇÃO! Acho que devemos reivindicar os nossos direitos da forma mais construtiva possível e assim, só teremos a ganhar.
Acho que nós estudantes (independentemente da escola que frequentamos)deveríamos unir forças, apresentando propostas para que a regulamentação abarque os nossos casos, chegando a um consenso (global e não individual).
Pessoalmente, não me importo de fazer um exame (teórico e pratico)! Penso que seria uma forma credivel para demonstrar os conhecimentos adquiridos... Aperfeiçoamento de conhecimentos e não anulação de Cursos (o que seria muito chato!)
Enfim, não tenho muitos ideias... acho que vou esperar pela proposta que o Nuno prometeu ;D
Jinhos a todos
Joana
"A minha religião é o Amor, a minha igreja é a Natureza" Gary Gleason

Maio 09, 2008, 14:58:44 pm
Responder #10

Pulga

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viva,
começo por concordar com o Nuno em relação à reduzida componente prática do curso fs da APA-DA. Aliás, essa questão foi debatida algumas vezes internamente entre alunos e docentes, havendo essa consciência, tendo-se tecido considerações várias que não interessa repercutir, mas que no contexto curricular têm sentido, mas é um facto, há uma lacuna a esse nível, de acordo. Concordo também que a frequência ao fs não é o formato ideal para um curso superior... e daí ... estou a lembrar-me do ensino à distância ao nível superior. Estou a recordar-me da Universidade Aberta. Estou até a lembrar-me que nós, na APA-DA, temos acesso a aulas de e-learning... Ouvi recentemente um coordenador de um curso de mestrado congratular-se com o resultados de um formato de menos aulas presenciais que resultou num inequívoco incremento na autonomia dos mestrandos!
 
"Os actuais alunos da APA-DA é que poderá ser um problema. Mais uma vez admito que não encontrei nenhum solução satisfatória." (...) "Não é desejo da comissão prejudicar os diferentes profissionais ou alunos."

Muito bem Nuno, se não é esse o desejo da comissão, decerto alcançarão uma solução em que os actuais alunos poderão demonstrar a sua competência seja através de exame de ingresso, estágio profisional... o que lhe queiram chamar desde que reúna o acordo entre os órgãos de gestão das várias escolas.

"como criar uma regulamentação e estabelecer uma profissão credível, responsabilizar-nos em frente aos doentes e população protuguesa e tentar satisfazer a maioria dos praticantes?"

Não é nenhum bico-de-obra, havendo boa vontade. Desde sempre houve necessidade de reestruturar instituições e cursos e a regra é, como disse a Diana acerca do mundo académico, integrar QUEM ESTÁ e aplicar as novas regras a QUEM ENTRA.
Não vos passará pela cabeça dirigirem-se aos "profissionais" a quem o ESTADO permitiu apostar numa carreira sem nunca exigir ou fiscalizar, e cobrando impostos, e dizer:"meus amigos arrumem o material e vão para o desemprego que isto agora foi regulamentado!"

Mais, este seria o pior sinal que se poderia passar à população, falando de CREDIBILIDADE. Seria o mesmo que dizer aos pacientes: "os senhores têm vindo a ser enganados por pretensos acupunctores, sem formação adequada, mas agora corremos com eles e está tudo bem, já podem confiar na classe que supostamente vos enganou!" Esta será a ideia de credibilidade de alguém?

As pessoas não sabem fazer a distinção nem têm obrigação disso. A obrigação é nossa. O que aconteceria é que a opinião pública reuniria todos no mesmo saco: os com muita, os com pouca e os sem nenhuma formação, arruinando de uma assentada com a CREDIBILIDADE desta classe profissional, como tem acontecido com outras neste país... e logo numa altura em que a MTC goza de cada vez mais popularidade junto da população! Vá lá Nuno, o seu a seu dono, admita-se que o fenómeno se deve um pouco a quem promoveu "a aplicação de agulhas num programa televisivo da “chalaça” em que alguém é picado como exibição do tipo Vilar de Perdizes."

Aguarda-se pois pela proposta mencionada pelo Nuno, assim como pelas datas das sessões de esclarecimento. Aguarda-se também um sinal de vontade da parte da comissão em resolver o problema no estrito seio da comunidade de MTC.
O pior que poderia acontecer seria a polémica passar para o domínio público, levando a opinião pública a fazer o seu juízo com base nas parangonas de jornais, que é assim as coisas se passam efectivamente. Eu próprio já comecei a ser abordado neste sentido por colegas que sabem que estou ligado à MTC.

Esperemos portanto que as (ridículas) lutas por monopólios e sede de poder não se sobreponham ao interesse da MTC. (ainda) há mercado para todos, senhores.
abraço
Pulga

Maio 10, 2008, 19:44:19 pm
Responder #11

Nuno Lemos

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Boas. Infelizmente não tenho muito tempo para responder a outros posts. Vim aqui só para deixar um rascunho daquele que eu acho que seria um bom projecto para a aceitação dos alunos e profissionais mais recentes, tal como tem estado a ser discutido. ;)
Peço para o criticarem uma vez que é um rascunho e creio que o podemos melhorar em muito.

Em relação aos profissionais com menos de 1 ano de prática clínica após a conclusão do curso:
1 - não sei se é necessário fazerem um exame uma vez que a principal falta apontada é o estágio tutelado. Qualquer matéria que precise de ser desenvolvida (ou não!) pode sê-lo no estágio clínico. ;)
As pessoas que fossem rapidamente aceites como acupunctores (terapeutas recém formados com curso base superior ao exigido, profissionais com anos de prática - estes seriam os melhores-) poderiam juntar-se e oferecer estágios clínicos aos recém formados. O estágio poderia focar-se em assuntos considerados importantes e em falhas do aluno que deveria ser decidido pelo aluno, pelo terapeuta responsável pelo estágio e pelos diferentes professores da cadeira.
O importante é que essas pessoas já pagaram o curso e não deveriam ter de pagar mais nada para obter o estágio - uma vez que este já deveria estar totalmente incluído no curso-. Creio que se apelarmos aos diferentes acupunctores e escolas do país conseguimos fazer isto. Evidentemente que um estágio personalizado poderia ter tempos diferentes para diferentes pessoas uma vez que alguns terão mais prática clínica que outros ou terão mais conhecimento da matéria. Isso iria beneficiar a formação do profissional sem prejudicar o seu futuro. :)

Relativamente aos actuais alunos em cursos com currículo inferior ao exigido: se esta regulamentação for para a frente, a partir do momento em que se encontrar em vigor, as escolas terão de adaptar o seu currículo. O que fazer aos restantes alunos? Não creio que seja vontade de ninguêm prejudicar essas pessoas: o que proponho é semelhante ao proposto acima - reunir os acupunctores para se começarem a delegar clínicas que fiquem responsáveis pela formação clínica desses alunos. Numa primeira fase creio que se deve dar mais atenção aos jovens profissionais pois esses já acabaram o curso. De qualquer forma se for possível um aluno poderá fazer o estágio durante o tempo de aulas consoante o seu tempo disponível, ou não. :)

Estes estágios poderiam levar em linha de conta as necessidades e o tempo disponível do futuro acupunctor: assim caso se definisse um estágio de 6 meses, 2 dias por semana por exemplo e o aluno só poderia ir a um dia da semana, o estágio poderia ser alargado para 1 ano de forma ao aluno conseguir fazer o tempo necessário. :)

Futuramente creio importante também nos preocuparmos com outro aspecto: uma vez que é exigido ao profissional o exercício da profissão, pelo menos durante 2 anos e uma vez que ao início alguns profissionais tem dificuldade em arranjar doentes ou clínicas eu proponha a formação de um conjunto de estágio de pós-licenciatura que permitisse a essas pessoas o exercício da profissão e a sua consequente manutenção na classe profissional. :)

Esta é a melhor forma que conheço de dar bons níveis de formação, credibilizar a profissão e garantir a conclusão dos sonhos de todos os futuros terapeutas. ;)

Evidentemente que se podem colocar também hipóteses de exames. Isso fica para discussão.

Abraço

Maio 12, 2008, 13:09:24 pm
Responder #12

Diana

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Olá Nuno,
Acho a tua proposta boa e concordo que poderia ser uma boa saída para os alunos que se encontram agora a frequentar o curso, nomeadamente, os alunos de fds da APA-DA. Concordo também que não deveria ser pago, pois já devia estar inserido no plano curricular (como na maior parte dos estágios de hoje nem se recebe, já ficava contente de não ter de pagar o estágio :D). Contudo, é talvez um pouco irrealista, pelo menos para a “nossa” (alunos da APA-DA) realidade actual. Digo isto porque na prática que nós temos por vezes já é difícil arranjar consulta para os nossos pacientes (apesar de ser obrigatório e de a consulta ser paga como um paciente normal), quanto mais as clínicas “absorverem” todos os alunos. E depois encontrar acupunctores/tutores que estejam disponíveis para orientarem os todos os alunos… Mas até acho que com boa vontade de todos, mente aberta e coordenação isto se resolveria. Acho que não seria necessário o estágio só ser realizado no final do curso, até poderia ser repartido, por exemplo, o aluno fazer 3 ou 4 meses durante o 4º ano e outros 3 ou 4 meses durante o 5º e eventualmente mais algum tempo quando terminar o curso, de acordo com o que for definido.

Agora, qualquer acupunctor certificado/ clínica poderia ser tutor de qualquer aluno, mesmo que ele seja de outra escola que não a escola mãe desse tutor? (aqui o “poderia” pode-se ler também como “quereria” ou “estaria disponível para” sem descriminação de escolas). E os pacientes a tratar, seriam os pacientes da clínica ou o aluno teria de “arranjar” pacientes para o seu estágio?
E o estágio, como seria avaliado? Teria n.º de horas mínimo, n.º mínimo de casos tratados? Seria feita uma monografia no final? Na minha opinião, sim, como em qualquer estágio curricular, pois obrigava ao aluno um maior empenho e qualidade no seu trabalho (mas seriam pontos a discutir mais tarde)

Mas isto seria válido para todos os alunos nesta situação, com menos de um ano de prática clínica após a conclusão do curso? Bastava eu tirar um curso de 3 meses e fazer um estágio numa clínica para ficar certificada? Acho que nesta situação deveria ser feita uma avaliação curricular e caso hajam temas que não foram abordados, aí poderiam ser realizado também um exame.

Relativamente ao último ponto em que falas dos estágios de pós-licenciatura, acho uma óptima ideia, mas será que as clínicas existentes teriam a capacidade de absorverem também estes estágios, sem abusarem dos estagiários ou então não contratarem acupunctores pq vão tendo sempre estagiários? (como vemos em muitas empresas portuguesas que vivem à custa do estagiários e dos estágios profissionais…) Isso teria de ser muito bem definido ;)
Por falar em estágios profissionais e por ignorância minha, depois da regulamentação o âmbito dos estágios profissionais abrange a profissão de acupunctor, certo? :D 

Beijinhos a todos :)
Diana

Maio 12, 2008, 13:48:32 pm
Responder #13

Nuno Lemos

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Boas Diana. Creio que as tuas perguntas são muito boas.  :D

Creio que as clínicas conseguirão, a seu tempo, absorver os alunos. A 1ª prioridade deve ir para os profissionais que já exercem. Além de receberem o estágio muito ficarão prontos para dar o estágio o que aumenta o número de profissionais a darem estágio e a escolha dos alunos. De seguida devem vir os alunos e só depois os estágios profissionais.
O verdadeiro problema está em consciencializar as pessoas para se unirem em torno desta questão. Evidentemente que há outro problema: quem está disponível e quem está preparado? Penso que se poderia dar formações aos acupunctores (de borla, novamente) de forma a que estes pudessem aceitar alunos e outros profissionais e mostrar-lhes a prática clínica de forma académicamente proveitosa. ;)

Sim, os estágios poderiam ser repartidos. Mas como disse, no momento inicial, a nossa atenção deveria ir para os profissionais que já exercem. Esses são a prioridade. Depois viriam os alunos. Evidentemente que um acupunctor que não tenha acesso a profissionais e que tenha acesso a alunos poderia dar-lhes o estágio.

Creio que a melhor forma era os estágios serem dados por diferentes acupunctores e não só por acupunctores das mesmas escolas. Isto também ajudaria à formação de uma classe profissional mais coesa uma vez que existiria mais troca de informação e as pessoas poderiam conhecer-se melhor. Por outro lado, imagina que alguêm quer fazer estágio mas a clinica dos professores da escola dele ficam longe? Pode fazer o estágio numa clinica mais próxima que pertença a um acupunctor de outra escola. ;)

Uma vez que o aluno está em estágio os doentes devem ser da clínica onde ele estagia. Como acontece em todas as outras profissões. Estágios em clinicas privadas ou centros de saúde ou hospitais funcionam assim. Uma vez que os doentes são do profissional e o aluno está a receber estágio as consultas deveriam ser pagas. É o trabalho e o nome do profissional que está em causa. A única diferença é que além da consulta estará a dar um estágio a um aluno. Não é difícil fazer isso. lol

Os estágios deveriam ter horas mínimas e deveria ser feito um portfolio ou relatório final sobre os casos que aprendeu. No entanto o estágio também deveria ser personalizado na medida em que deveria satisfazer as necessidades de ensino do aluno em questão. Há alunos que se adaptam muito bem a fazer acupunctura e não tem jeito nenhum para o diagnóstico e vice-versa. Creio que a formação de vias de contacto entre o profissional, o aluno e o professor desse aluno poderia definir bons currículos de estágio. ;)

Concordo com as diferenças de termos currículares e formação de exames. Na realidade, já o tinha dito antes, existem pessoas a exercer sem sequer terem entrado numa escola. Casos muito mais graves que os alunos da APA-DA (de forma geral penso que todos os alunos da APA-DA serão aceites). O problema que se verifica com a APA-DA tem a ver com a vontade do alunop aprender (depende não do currículo mas do aluno) e das horas de formação prática. Acredito mesmo que seria possível formar grupos de discussão onde os profissionais e alunos das diferentes escolas se pudessem reunir para discutir casos e aprender uns com os outros. Isto seria excelente. Se quiserem formar algum grupo assim em Lisboa eu vou e devo conseguir arranjar pessoas para irem. lol

Sim, concordo que os estágios deveriam ter de ser bem definidos. Mas primeiro a prioridade deve ir para os que já exercem, depois para os alunos e depois para esses profissionais. Por outro lado esses profissionais ao fazerem estágios pós-graduação também poderiam ajudar a dar formação aos alunos nessas clinicas. Mas teria de ser muito bem definido. Creio que um controlo apertado por parte das escolas (ESMTC e Universidade/escola superior Dr. Pedro Choy) assim como da classe profissional poderia resolver esse problema. ;)

Caso esses estágios venham a ser feitos e após a regulamentação creio que abrangem a profissão de acup+unctor. Eu pelo menos espero que sim. loooooooooooooooool Caso contrário não teria lógica. lol

Abraço ;D

Maio 19, 2008, 15:18:57 pm
Responder #14

Miguel Gomes

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Nuno,

já há datas para as sessões de esclarecimento?

cumps