Bem, há aqui alguns aspectos que me estão a fazer alguma confusão.
O 1º, é a questão que sempre me vem à cabeça quando comparam a saúde de um vegetariano com a de uma pessoa que come carne. Que tipo de comparação é essa? Será feita com uma pessoa que tem uma alimentação equilibrada, que come quantidades moderadas de carne, que pratica exercício físico, que se preocupa com a sua saúde? Ou é comparada com o cliente nº1 do MacDonald's?? Ser vegetariano não é apenas uma dieta escolhida, tal como se escolhe entre um bife da vazia ou um robalo. Ser vegetariano é uma escolha feita por quem, desde logo, acredita que vai melhorar a sua saúde, ou por quem se preocupa com o tipo de "energias" dos alimentos que ingere. Isto pressupõe um estilo de vida mais saudável no global, na escolha da qualidade dos alimentos, evitando os químicos e preferindo alimentos biológicos, muitas vezes incluindo a prática de uma actividade (Yoga, Tai Chi, Qi Gong, etc), e a prática de exercício "espiritual" através da meditação.
Mostrem-me alguém que seja vegan, sem o estilo de vida saudável que costuma acompanhar esta dieta, que tenha um emprego stressante, que trabalhe 10h/dia, que não pratique exercício, que vá para os copos todas as 6ªs e sábados, e que seja altamente saudável, e eu rendo-me. Até lá, não me convencem que a diferença está na carne que uns não comem, e que tudo o resto não interessa.
Quanto à ideia lançada de que a quantidade de comida ingerida é inversamente proporcional à longevidade, parece-me simplista demais... Se assim fosse, no Biafra e na Etiópia vivia-se até aos 200 anos.
Já conhecia a ideia do jejum periódico para purificar o organismo, já aqui fiquei a conhecer o jejum para combater infecções, e agora fico a conhecer a ideia de que só se deve comer uma vez por dia. Uma vez mais fala-se de "estudos e experiências"... Como é óbvio, estamos a falar de animais em laboratório, e não no seu habitat natural. Como é óbvio, estamos falar de animais que são diariamente alimentados, não tendo que dispender energias na busca do seu alimento. Nestes casos, até acredito que aumente a longevidade. Se eu passasse a minha vida toda fechada no meu quarto e comesse 5 refeições por dia, é óbvio que teria uma saúde bastante pior do que se só comesse 1. E porquê? Porque não fazia um boi o dia todo. Claro que pela lógica básica, quanto menos usamos uma coisa, menos ela se gasta. Agora, não queiram comparar um rato fechado numa gaiola, com um rato no ambiente natural. Talvez não se verifique com a mosca da fruta porque esta, mesmo dentro de um frasco, consegue voar e gastar mais energia do que aquela que lhe é fornecida pelos cientistas.
Quanto à MTC, reitero o que o Nuno disse, a MTC não se refere às calorias. Em relação às quantidades, a única "máxima" que conheço é "Toma o pequeno-almoço como um Rei, almoça como um príncipe, lancha como um mercador e janta como um pobre". A MTC refere-se a um equilíbrio em termos de sabores e de naturezas, a quantidade depende das necessidades de cada um e, quanto mais saudáveis estivermos, mais verdadeira é a percepção que temos da real necessidade que temos.
Um abraço